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    O imposto separado na hora do pagamento

    Split payment: testes começaram em outubro de 2026; uso real só em 2027

    Por Adriana Calderini, contadora e fundadora da OQContábil

    Resposta rápida: o split payment entrou em fase de testes de integração em outubro de 2026, sem operações reais. O uso começa no 2º semestre de 2027, de forma facultativa e apenas em vendas entre empresas. Para vendas ao consumidor final, ainda não há data.

    De todas as mudanças da reforma tributária, o split payment é a que mais mexe com o caixa. Ele muda o momento em que o imposto sai da conta da empresa. Hoje, o vendedor recebe o valor cheio, usa o dinheiro durante o mês e recolhe os tributos depois. Com o split payment, a parte do imposto nem chega a entrar na conta.

    O que é split payment?

    É o recolhimento automático do IBS e da CBS no momento do pagamento. Quando o cliente paga por Pix, cartão ou boleto, o banco, a instituição de pagamento ou a credenciadora da maquininha separa o valor do imposto e o envia direto ao Fisco. O vendedor recebe só o valor líquido.

    Um exemplo: numa venda de R$ 1.000 com R$ 250 de tributos, R$ 250 vão ao Fisco e R$ 750 ao vendedor, tudo na mesma liquidação. Se houver falha técnica e o valor for retido a mais, o excesso deve ser devolvido em até 3 dias úteis.

    Qual é o cronograma?

    FaseQuandoQuem participa
    Testes de integração, sem operações reaisoutubro de 2026bancos, instituições de pagamento e Fisco
    Início facultativo2º semestre de 2027vendas entre empresas (B2B) para compradores do regime regular
    Obrigatoriedadeprevista para 2028ainda depende de regulamentação
    Vendas ao consumidor final (B2C)sem datadepende de regulamentação

    Ou seja: em 2026, nenhuma venda tem imposto retido. A fase atual é técnica e envolve os sistemas dos bancos e do governo. Mas é justamente por isso que agora é o momento de planejar.

    Como funcionam os dois modelos?

    A LC 214/2025 prevê duas modalidades:

    • Split padrão: o sistema consulta os débitos da operação e desconta o que já foi quitado ou compensado com créditos. Assim, só o saldo devido é retido.
    • Split simplificado: aplica um percentual predefinido sobre o valor da transação, e as diferenças são ajustadas depois, na apuração.

    O modelo padrão é mais preciso, mas depende de integração em tempo real com a nota fiscal. O simplificado é mais fácil de operar, mas pode reter mais do que o devido em alguns meses, o que pesa no fluxo de caixa até o acerto.

    Por que o split payment importa para o crédito?

    No novo sistema, o crédito de IBS e CBS do comprador depende da extinção do débito do fornecedor, seja por pagamento, seja pelo split. Em outras palavras: o cliente só aproveita o crédito se o imposto do fornecedor tiver sido efetivamente recolhido. O split payment é a ferramenta que garante isso automaticamente.

    Por isso, empresas grandes devem passar a preferir fornecedores cujas vendas passem pelo split. Para quem vende para outras empresas, estar preparado pode virar diferencial comercial.

    Quem são os responsáveis pela retenção?

    A retenção não é feita pela empresa vendedora. Ela fica a cargo de quem movimenta o dinheiro: bancos, instituições de pagamento, credenciadoras de cartão e subcredenciadoras, como as plataformas de checkout. São essas instituições que estão participando dos testes de integração iniciados em outubro de 2026.

    Para funcionar, o sistema precisa ligar três informações: a nota fiscal emitida, o pagamento feito pelo cliente e a apuração do vendedor. Quando a nota traz os campos de IBS e CBS corretos, o sistema consegue saber quanto imposto existe naquela operação e quanto deve ser separado. Quando a nota está errada ou incompleta, a retenção pode sair errada também.

    Por isso, split payment e nota fiscal caminham juntos. A empresa que já está emitindo notas corretas em 2026 sai na frente quando o split começar a valer. A que ainda não ajustou o cadastro corre o risco de ter imposto retido a mais, ou de ver o cliente sem crédito, logo nas primeiras operações reais.

    Outro ponto importante é a conciliação. Com valores chegando já líquidos, a contabilidade precisa conciliar o valor bruto da venda, o imposto retido e o valor recebido. Rotinas de conciliação bancária e de recebíveis precisarão de ajuste.

    Qual é o impacto no caixa?

    O maior impacto é no capital de giro. Hoje, muitas empresas usam o valor do imposto como “fôlego” entre a venda e o vencimento da guia. Com o split, esse fôlego desaparece. O dinheiro do imposto nunca chega ao caixa.

    Veja três situações comuns no mercado digital:

    1. E-commerce: quem recebe por cartão parcelado já espera dias ou semanas para receber. Com o split, o valor líquido de cada parcela será menor. O planejamento de compras de estoque precisa considerar isso.
    2. Infoprodutor: as plataformas de venda de cursos e mentorias funcionam como intermediárias de pagamento. Elas terão papel direto na retenção quando o split chegar ao B2C. Vale acompanhar como cada plataforma vai se adaptar.
    3. Prestador de serviço para empresas: é quem deve sentir o split primeiro, a partir do 2º semestre de 2027, se o cliente for do regime regular.

    O que fazer ainda em 2026?

    1. Projetar o fluxo de caixa de 2027 considerando o recebimento já sem o imposto.
    2. Revisar a precificação e os prazos de pagamento a fornecedores.
    3. Conversar com o banco e com as plataformas de pagamento sobre o cronograma de adaptação de cada um.
    4. Garantir que a nota fiscal saia com os campos de IBS e CBS corretos, porque o split padrão vai depender dela.
    5. Revisar contratos com plataformas e marketplaces, que podem mudar taxas e prazos de repasse.

    Perguntas frequentes

    O split payment já retém imposto nas minhas vendas hoje? Não. Em 2026 há apenas testes técnicos, sem operações reais.

    Vale para o Pix? Sim. A retenção vai alcançar os meios de pagamento eletrônicos, incluindo Pix, cartão e boleto.

    Empresas do Simples Nacional serão afetadas? Sim, quando o split alcançar suas operações. A forma exata ainda depende de regulamentação.

    E se reterem imposto a mais? O excesso retido por falha técnica deve ser devolvido em até 3 dias úteis.

    Fale com a OQContábil

    Quer saber como o split payment vai afetar o caixa da sua empresa em 2027? A gente monta a projeção com você. Chame no WhatsApp (11) 95592-6527, siga @oqcontabil_contabilidade no Instagram para acompanhar o cronograma ou escreva para atendimento@oqcontabil.com.br.

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    Fontes